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Do Tempo das Descobertas: Leituras de Dezembro de 2009

Terça-feira, 12.01.10

 

Do Saída de Emergência, este post sobre leituras recentes e promessas futuras. Gostei sobretudo de saber um pouco mais sobre o autor da série Flashforward, que já referi aqui, e muito me surpreende que não esteja a ser acarinhada pelos americanos (o que é se passa? Ficar-se pela primeira temporada? Nem pensem nisso!)

 

 

 

" Leituras de Dezembro de 2009

 

O que lêem os editores? Sim, o que lêem os profissionais da edição que, parecendo que não, decidem o que os restantes portugueses vão ler? Só posso falar por mim, mas acredito que todos os editores tenham dois tipos de leitura: a profissional e a pessoal. Na primeira lêem o que consideram publicar, na segunda lêem o que gostam. Pessoalmente tenho sorte pois muita da minha leitura pessoal acaba no catálogo da editora. Mas muita também não acaba – por mil e uma razões diferentes. É dessa leitura que vos pretendo falar, das leituras invisíveis mas que, de certa forma, ajudam a moldar os meus alicerces e os da Saída de Emergência. Não pretendo que estes textos (que espero mensais), sejam vistos como um exercício de vaidade. Tenho consciência de que estas leituras vão interessar a poucos. Mas para os fãs incondicionais da editora, abro a minha biblioteca…
 
   
Something Wicked This Way Comes de Ray Bradbury

 

Foi-me recomendado pela Gi, a mulher do David Soares, com os maiores elogios à prosa e à história. E tudo se confirmou, este livrinho é um verdadeiro tesouro. Ouvi-o em versão áudio e, maravilhosamente lido, nada se perdeu. Considerado uma obra-prima da literatura de horror, é a história de dois rapazes de treze anos, James e William, e do mal que abraça a sua cidadezinha do interior com a chegada de um estranho circo ambulante. O que faríamos se os nossos mais secretos desejos fossem tornados realidade pelo misterioso chefe do circo? Ray Bradbury, numa voz maravilhosa, fala-nos de inocência, coragem, amizade, reencontro. Um verdadeiro hino à melhor literatura fantástica.

 

Land of the Headless de Adam Roberts

No futuro distante a humanidade levou a religião e as desuniões dela resultantes para o espaço. E, num planeta onde a sociedade segue de forma fundamentalista o Antigo Testamento e o Corão, um poeta é acusado de violar uma mulher. Julgado culpado, é sentenciado à pena máxima: a decapitação. Depois de lhe ser removida a cabeça é equipado com uma válvula no pescoço (por onde pode respirar e alimentar-se), um ordenador (que guarda a sua personalidade e memórias), e equipamento sensorial (visão e audição básicas). Exemplarmente castigado, pode seguir a sua vida. Como seria de esperar, e é essa a sua verdadeira punição, carrega um terrível e manifesto estigma. A sua única forma de sobreviver é alistar-se no exército e seguir para a frente de combate enquanto planeia a vingança contra o homem que acredita ser o responsável pela sua perdição. Land of the Headless tem uma prosa sem mácula e está repleto de grandes ideias. É uma escalpelizarão sublime da condição humana, uma sátira sobre fundamentalismo religioso, intolerância, crueldade, estupidez, mas também uma tocante história de amor, sacrifício e idealismo.

 
The Dying Earth de Jack Vance

Adorava publicar este gigante da literatura fantástica. Mas não sou assim tão masoquista - a Colecção Bang! já tem suficientes gigantes a vender pouco, como é o caso de Michael Moorcock, Fritz Leiber ou Mervyn Peake. Recomendo no entanto a leitura desta fantasia científica onde Jack Vance, através de curtas histórias interligadas, nos transporta para um futuro muito distante. Tão distante que a Terra se prepara para ser engolida pelo sol vermelho e gigante. Uma Terra moribunda onde magia e ciência significam a mesma coisa. The Dying Earth está um pouco datado – afinal, já tem 60 anos – mas Jack Vance escreve tão bem que este clássico envelheceu com elegância e graça.

 
Banda Desenhada


Em Dezembro li Astérix - O Regresso dos Gauleses, Lucky Luck - A Corda do Enforcado, Tintim – As Jóias da Castafiore e Spirou e Fantásio – A Máscara Misteriosa. Leituras um pouco clássicas mas maravilhosamente intemporais. Na última feira do livro completei a minha colecção do Astérix e na próxima deverei completar as restantes (pois é, as feiras dos livros são oportunidades para todos). Também li o novíssimo Blake e Mortimer – A Maldição dos Trinta Denários. Não é um original de Edgar P. Jacobs, mas é muitíssimo bom, e estes dois aventureiros continuam a ser as minhas personagens favoritas de BD.

Mas há mais BD para além da europeia, e a americana está a viver o que penso ser uma autêntica era dourada. Argumentistas inteligentes e ilustradores talentosos surgem nas mais variadas chancelas com novidades surpreendentes a todos os níveis. Este mês fiquei a conhecer The Programme onde Peter Milligan nos apresenta um mundo adulto onde a origem dos super-heróis está ligada à Segunda Guerra mundial e à posterior Guerra Fria. O desenho é de C. P. Smith e, se o seu traço primeiro se estranha, depois entranha-se totalmente. Estou desejoso em deitar as mãos ao segundo volume desta série. Também li o 5º volume de Tom Strong, uma das muitas personagem criadas por esse génio artístico chamado Alan Moore (cujo romance, A Voz do Fogo, a Saída de Emergência terá o prazer de republicar no último trimestre de 2010). Tudo o que li até agora de Alan Moore é, no mínimo, muito bom. E para os fãs de pulp fiction, os livros de Tom Strong são uma delícia para os olhos e para o coração.

 Televisão


Devorei os 10 episódios de Flashforward, a série inspirada no livro de Robert J. Sawyer (que vai sair na Colecção Bang! em Março deste ano). O livro é muito interessante, original e inspirador, e a série, apesar de todas as inevitáveis mudanças, também é excelente. Recomendo sem reservas apesar do público americano não estar a corresponder à série e esta estar em risco, segundo consta, de se ficar pela primeira temporada!

Também ando a rever, poooouco a poooouco, toda a série dos X-Files. Vou na quarta temporada, talvez a melhor até agora. Envelheceu muito bem apesar de ser uma série de género (fc, fantasia e horror).

Outra série que deve tudo aos livros é a Sharpe, baseada na obra de Bernard Cornwell. Com Sean Bean no papel de Richard Sharpe, é de visionamento obrigatório para quem se interessa pela obra de Cornwell ou pelas Guerras Napoleónicas (ou apenas por uma série histórica muito bem interpretada e produzida).

Um abraço e votos de boas leituras (e não só) para Janeiro de 2010

Luis CR [editor]   "

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:25

"Flashfoward": qual será a verdadeira "face do mal"?

Sexta-feira, 06.11.09

  

Flashfoward é uma série televisiva muito bem concebida, bem arquitectada, engenhosa, verosímil dentro do inverosímil, a possibilidade de manipulação mental à escala mundial.

As personagens aqui são densas e complexas, e à dimensão humana. E os actores, muito bem escolhidos para o seu papel.

 

Além de nos entreter, Flashfoward desafia-nos a memorizar pormenores que serão comparados e verificados, passo a passo, num sistema de busca, o "Mosaico", e a raciocinar, a deduzir, a especular o que teria provocado os desmaios silmultâneos a nível global. O quê, o como, e o porquê, por desvendar. 

 

Há uma interessante comparação, neste Flashfoward, entre as diversas dimensões do mal: os pecados terrenos e compreensíveis, próprios da natureza humana, como o alcoolismo do detective, ou as mentiras motivadas pelo medo; já a um outro nível, o da ambição pessoal e da linguagem do poder, aqui já há calculismo, na implacável senadora Clemente, por exemplo; e ainda, de uma outra dimensão da violência, da dimensão do impensável, a verdadeira "face do mal".

Nesta dimensão do mal, há uma premeditação fria e distante. Aqui a manipulação é à escala mundial e sem medir consequências.

E aqui o maior sedutor pode ser o maior assassino. Daí a questão filosófica que vi em Flashfoward: qual será a verdadeira "face do mal"?

 

Quem quiser seguir a série, ainda vai muito a tempo, pois há sempre um apanhado dos episódios anteriores. E além disso, ainda só vai no início do imbróglio, a investigação do nosso detective, o "Mosaico", acaba de conseguir o seu financiamento para prosseguir.

Flashforward passa no AXN às 4ªs feiras e aos domingos à noite (inicia invariavelmente entre as 21.30 e 22.20).

 

Sim, já só ligo a televisão para ver esta série e outra, o Boston Legal, que passa na Fox Crime. Boston Legal, pelo William Shatner e pela Candice Bergen. E pelos temas que aborda através dos clientes que a equipa defende em tribunal.

De resto, só algum filme ou documentário interessante.

 

 

Filmes relacionados: O Acontecimento (The Happening), de M. Night Shyamalan, 6ª feira, dia 20 de Novembro, às 22.00, no TVCine 3.

E ainda O Rapaz do Pijama às Riscas (The Boy in the Striped Pyjamas), de Mark Herman, domingo, dia 29 de Novembro, às 22.30, no TVC HD. 

 

Breve nota: E aqui uma ligação à Lavandaria e ao seu top five de séries televisivas a 12.11.09, que inclui o Flashfoward e o Boston Legal.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:21








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